“Mensagens Sonoras” – Paulo Meira

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Projeto de pesquisa artística premiado no “Programa Bolsa FUNARTE de Estimulo a Produção Artística 2014”, Mensagens Sonoras apresenta uma série de obras, cuja proposta conceitual, de natureza ficcional, gira em torno de uma investigação científica que busca lançar luz à conhecida lenda sobre certa comunidade de albinos instalada nos confins de um dos locais mais inóspitos do Brasil – o Raso da Catarina.

Projeto multimídia, constituído de variados suportes e linguagens – vídeos, programa de rádio, instalação, objetos, escultura, pinturas e impresso tabloide. Esse conjunto de obras, por sua vez, tem na vídeo-performance sua fonte de emergência, ainda que, dado as singularidades, cada qual dessas produções evidenciem a potencia da sua experiência artística.

O seu desdobrar imagético explora as etapas características de uma investigação cientifica enquanto via norteadora das ações artísticas que, tanto amparam conceitualmente, quanto engrenam o executar das obras. Disto decorre seu processar, em grande parte, realizar-se in loco e valendo-se de modos e meios apropriados à este fim, tais como:  coleta de imagens em vídeo, fotografias, captação de som ambiente, coleta de informações de moradores locais. Disso o ressaltar da experiência que envolve a procura desta comunidade ou de tal lenda, em sequências de travessias por duas localidades do sertão nordestino: Raso da Catarina e Vale do Catimbal.

Sabe-se que lendas não tem compromisso com a realidade, sendo quase sempre estórias sobrenaturais, ainda que digam muito de seu contexto e criação. Estas obras se colocam no entreposto imaginário de um complexo ecossistema e seus poucos habitantes. Sobre a real existência da comunidade de albinos, ainda que sejam estórias contadas de geração em geração, não há documentação que afirme sua veracidade, e de certo modo, a arte aqui vem preencher esta lacuna documental.

A ocorrência da lenda nos leva a pensar sobre o contexto atual desse lugar que numa era remota foi parte do rio São Francisco e hoje é um deserto, onde a água desapareceu quase por completo e uma comunidade de indivíduos que, através de gerações, foi perdendo a pigmentação da pele. As metáforas são inevitáveis: trata-se da busca por pessoas, que da perda e do desaparecimento (água, cor, luz), constituem singularidades e reinventam formas de viver.

Paulo Meira, 2015


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