CONTIDONÃOCONTIDO | texto de parede

Constituída a partir da reunião de obras que, ao longo de várias décadas, foram adquiridas ou doadas a instituições e outras iniciativas vinculadas à Prefeitura da Cidade do Recife, atualmente a Coleção MAMAM reflete a diversidade a partir da qual foi formada. Nela constam obras de aproximadamente 300 artistas de períodos, origens, linguagens e pesquisas variadas. Todavia, apesar da abrangência de seu acervo, possui lacunas significativas. Por ter herdado um conjunto relativamente aleatório de obras, bem como por ter apenas tardiamente implementado uma política de aquisição de acervo, à Coleção não se pode confortavelmente atribuir a função de historiografar a arte produzida a partir do século XX em Pernambuco. Como lidar, então, com essa condição?

A exposição contidonãocontido é a tentativa de estender a potência – e importância – dessa questão. Para simultaneamente exibir e problematizar a Coleção MAMAM, a mostra convida o público a pensar não só as qualidades, mas também os limites e vazios desse acervo: o visitante-pesquisador é convidado a engajar-se numa contínua pesquisa sobre artistas que escapam ao alcance da Coleção (ou que estão nela insatisfatoriamente representados), alimentando um acervo de informações que, além de colaborar no adensamento dos registros e documentos acerca da história da arte local, auxiliará nas próximas aquisições a serem feitas para a mesma.

A exposição acontecerá processualmente ao longo de seis meses, organizando-se em três recortes curatoriais apresentados bimestralmente. Assim, contidonãocontido faz ver as várias possibilidades existentes por entre os discursos que, através das instituições e suas escolhas, vão aos poucos constituindo e legitimando uma espécie de versão “oficial” da história da arte.

Refletir sobre essas questões faz ampliar nossa percepção crítica acerca do campo da arte, suas dinâmicas e agentes diversos – como o artista, a instituição, o público, a crítica etc. Complexifica, portanto, o caminhar por entre esse espaço moebiano em sua ausência de rígidos limites entre “dentro” e “fora”, “contido” ou “não-contido”. Permeabilidade diante da qual é preciso, talvez mais do que nunca, posicionar-se criticamente.

Clarissa Diniz, EducAtivo MAMAM e Maria do Carmo Nino, curadores.

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